na falta de oxigênio

você descobre que as carpas
e também o peixe dourado
conseguem produzir seu próprio
álcool, para não morrer.
na mesma hora em que
começa a meditar
visualizando suas escamas
visualizando o líquido sagrado
sendo liberado nas veias.
e por um momento
você se imagina Deus
e transforma todo seu sangue
em álcool.. e é o bastante
para perceber que você
também, é o Diabo
nessa brincadeira. e então
você cospe no chão
e acende o inferno
com um fósforo
qualquer..

monção

depois de beber algumas
conclui:

“hoje preciso de um boquete
D A Q U E L E S”

mas tão logo lembrei-me da ferida
a maldita ferida na cabeça
do cacete. ferida que vem crescendo
feito trepadeira em muro largo
e alto.

abaixei as calças e lá estava
ela. firme e forte feito fungo
incrustado em merda
de bode. tudo bem, tudo
bem, sem drama. pra tudo
dá-se um jeito
não é
mesmo?

fui até a cozinha
peguei o ralador de mão
e fui para o banheiro
e comecei a limpeza:
um pouco de álcool
pra desinfetar
e outro tanto
para amenizar
a dor
e,
ralador nela

– EITA PORRA!! CARALHO!

o grito foi feio
bem pareceu grito de macho
com abelha na cueca.
tudo bem, tudo
bem. vamos lá, só mais uma
raladinha.

– FILHA DA PUTA!

chega de ralar essa PORRA!
vou tomar banho

– COMO ARDE, DESGRAÇA!

 

depois do banho percebo
tirando um excesso de sangue
que escorre do pau para o saco
e coxas, até que ficou
apresentável. com um band-aid
vai ficar novo. dúvida agora é:
será que alguma mulher
se importaria
de chupar cacete
de
band-aid?

factual

ímpar,
sou estranho.

mudo,
mas não muito.

igual a mim o mundo está cheio
feito cachorros de quatro patas
e um único rabo
no meio?

tudo bem,
não estou bem ali
embora seja sempre eu
ausente sobre os mesmos pés
reparem bem,
quando pareço concordar:

“a cor das moscas não é a mesma
ao sol, e as flores
são apenas ilusões coloridas
em seu bucólico jardim
florido demais
para mim”