Baralho

A culpa talvez seja minha
Tenho o mundo preso nas bolas
Tenho três e mesmo assim falo fino
Eu queria querer algo melhor
Em um sonho míope
Cansei de assassinar assassinos com bolhas
E meus pés ainda cabem em tochas de neve
Feitas pra mim
Se fossemos justos
Caberíamos nas solas dos sapatos
Se fossemos justos
Cederíamos a virilha pro jacaré cheirar
Assim como a urina escura caindo dos olhos
Lentamente, em curvas
Sobre corpos retos
Cintilando
Dobráveis
Descartáveis
Remédio sobre o isopor
Que desaparece no menor assovio