Homem sardinha

Saiu para comprar aftas e nunca mais voltou
É procurado pela polícia
Assassinos oferecem recompensa
Sua amante exige pensão pelos cães
Que sequer lamberam seus ossos
Nos postes sua foto parece enlatada
Cruzada com fios de luz
Nos postes recebe troféus e autógrafos
Vangloria-se com as rosas apimentadas
Petrificado e platinado
Como bosta de cobra
Homem sardinha
Saiu para comprar fiapos de manga e nunca mais voltou
Na última vez que o viram estava invisível
Com um tubarão nas costas
E um riso entre as pernas
Perdeu-se por prateleiras de algodão
Sem notícias o coral canta sua volta em Dó maior
Desafinados como quedas de abacate
Sobre um vidro blindado que quebra
Fora de Si sem Mi
Sol enluarado à noite
Ré caiu de cara
Fá enganou-se, era fé e foi
Lá perdeu o ônibus
Dó teve pena
Homem abacate
Saiu para comprar sardinha e nunca mais voltou
Pendurou-se em caroços vencidos
Chocou o mundo
E um ovo
Sabor peixe

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