Minerva

Escrevo sobre desorientações
Do velho homem sentado no ponto de ônibus
Sem se dar conta que João carrega mais barro no bico
Do que ele nas botas
O gato na varanda do terceiro andar
Com menos medo da água do que a transeunte maquiada
Guarda-chuva maior que a bolsa, cabo de fora
Da lâmpada sempre acesa
Da mulher andando em círculos na sacada
Frenética, de dez em dez minutos sai, caminha, entra no apartamento
Escrevo sobre desorientações
Com uma agulha na ponta da cabeça
Atraindo o calor
Falo em mosquitos na trilha de um peido
Da sensação endócrina de morrer
Fraturas impostas por figuras expostas
Segundas respostas
Amostras
As botas brilhantes do velho homem não assustam João