Passado envelhecido ( XXI )

Na fila do banco pra retirar o PIS, Eduardo, também conhecido por Dudu Doidão escuta uma velha de cabelos pintados de azul reclamando “Tão passando maionese nas notas?”. Dudu acha engraçado, sai da fila e se aproxima pra ouvi-la. “Estão rezando nessa merda?”. Cutuca a velha, quer emoção, ser xingado também. “Hei senhora, sabe onde vou para ver em qual dia recebo meu PIS?”, “Mas como que eu vou saber cretino?”, “Sabe de uma coisa, gostei do seu cabelo, são naturais?”, “Porra, você é burro mesmo né jovem”. Eduardo já tinha 29 anos, desde os quinze já era louco, enfiava um dedo no cu de galinhas, arrodeava, tirava, enfiava outro, arrodeava, depois enfiava os dois e cuspia na cara delas. Conseguiu um emprego de coveiro, e quando podia passava seus dedos nos mortos, é apaixonado pelo cheiro deles. Sussurra no ouvido da velha: “Teu cuzinho é azul também?”, “HEIIII, CADE A POLICIA, ESTOU SENDO ASSEDIADA, ESSE MALUCO QUER VER MEU CU!”. Todos olham, o clima fica tenso. “HEI, NÃO LIGUEM! MINHA VÓ TÁ DOIDA! Relaxa aí vó.“NÃO SOU SUA VÓ, CADE A POLICIA? TIREM ESSE CARA DAQUI! QUER VER MEU CU!!”. Um segurança do banco vem na direção deles,  ele volta pro final da fila. Os dois conversam, ela aponta pra Dudu, que segura uma gargalhada. O segurança é barrigudo, usa boné, tem uma fisionomia que lembra seu tio favorito, o Milton. O banhento ouve a velha e se dirige até Dudu. “Podemos conversar ali fora um pouco camarada?”, “Claro seu guarda”. Saem do banco.“O que aconteceu com aquela senhora? Ela me disse que o senhor a desrespeitou, chamou-a de vó, e queria ver seu cu azul”, “Nada disso. Fui perguntar se ela sabia onde eu poderia ver a data do PIS. Ela me chamou de cretino. Aí falei que gostei do seu cabelo, e perguntei se seu xampu era azul também. Ela surtou”.“E por que chamou ela de sua vó?”,“Pros outros não pensarem que eu sou um tarado por pele velha”, “Amigo, é melhor o senhor ir em outra agência, pra evitar qualquer coisa. Ou então espere ela sair e volte. Ok?”,“Ok”. Dudu dá uns vinte passos, fica na espreita, com um cigarro na mão. O clone do seu tio Milton observa, com aquela cara de sapo morto e barriga pra cima. Eduardo dá mais trinta passos, contando lajotas, sai fora do campo de visão, se escorra num fusca alaranjado, o qual lembra o carro do seu tio mais ordinário, o Elói sorveteiro. Esse tio foi o único que o pegou na farra com as galinhas. “Heii Eduardo, o que você ta fazendo com minhas galinhas?”, “To tirando os ovos tio!”, “Seu perturbado, você tá cuspindo na cara delas”. Dudu atirou uma pedra no tio, pegou na canela, e recebeu uma bergamotada na nuca. Nunca mais se falaram. Depois de quinze minutos, a velha sai do banco gesticulando com as árvores, com um maço de notas nas mãos, vai pro mesmo lado que o Doidão. “Hei vovó”, “SEU CRETINO! CADE A POLICIA? ESSE CARA TA ME SEGUINDO! ALGUÉM ME AJUDE”, “Sua velha safada, cala essa maldita boca antes que te quebro as pernas”, “ALGUÉM..”. Dudu movimenta os braços como quem vai pegar uma arma e fala calmamente: “ Escuta aqui sua galinha, se gritar novamente, eu acabo com você aqui mesmo. Eu não perco nada, sabe por quê? Vou alegar insanidade, já passei por mais de trinta psicólogos e psiquiatras, eles vão confirmar, e serei mandando para um hospício, onde chuparei tetas malucas. Você vai morrer com esse maço de dinheiro nas mãos, vou te chamar de prostituta enquanto seu sangue fedido escorre por aí. “O que você quer?”, “Quero ver a cor do seu cu. Você acha loucura? Todos querem saber, suas filhas, suas amigas, seus cachorros, seu médico de hemorroidas, as moscas amarelas, todos!”, “Meu jovem, você nunca esteve na cama com uma mulher de cabelo pintado?”, “Uma única vez, mas estava escuro, dei uma lambida, tinha um gosto diferente, quando acordei no outro dia, ela já tinha ido embora”. “Pois bem querido, eu não vou te mostrar o que você quer, mas garanto que é igual o seu”, “Sinto muito vovó, terei que matá-la então. Preserve o cu lá no inferno”. Fez um gesto, simulando sacar a arma. “Tá bom, tá bom, eu mostro”. Dudu segurou outra gargalhada. “Ok vovó. Vira de costas e abaixa essas roupas velhas”, “Você quer ver aqui? Pode passar alguém”, “Não me importo, sou maluco, guardo uma bala de revolver há cinco anos na cueca, bem embaixo dos testículos, eu me dou um tiro na cabeça, vocês pensam: Pobrezinho, tão jovem. Eu te mato e eles dizem: Pobrezinha, uma pessoa tão boa. Cansei, tu não merece nada além de mostarda no rabo. Abaixa logo”.Ela guarda as notas na bolsa, se posiciona na frente dele, e lentamente relaxa as pernas, deslizando as peças íntimas, só a parte de trás, até o fim da bunda. Eduardo não para de rir, enfia um dedo dentro da velha, arrodeia, e cospe na cara dela, aquele muco escorre pela bochecha direita. Ela não se segura e começa chorar. Escuta o estouro, ergue as calças, olha pra trás. Retira uma nota de dois reais e joga no corpo imóvel.

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