Se os cães falassem, soletrariam “AU” e só

Opa…
Sutil brevidade de um falso santuário de sacrifícios
Foi onde embalsamei 1,1 kg
Não é uma tumba, nem memorial
Chamo de retiro
Protejo esse lugar
Fortalece-me o cheiro e a sujeira
Algo como trair Barrabás com um beijo de língua
Ou abortar por cesariana
Esse falso santuário de sacrifícios
Difícil decidir se prefiro acordar com meias
Ou dormir sem sentir os pés
Como se toda a ingenuidade fosse capaz de revelar um altruísmo devastador
As pipas continuam bailando
Os colchões mantêm-se em pé
As crateras seguem soterrando
Um doido confessou-me que a frase preferida dele era “Parabéns amigo, você conseguiu!”
Foi esse seu epitáfio
Morreu atropelado
E pasmem, ele quem dirigia o caminhão
Sim, sim, sim…porventura
O eterno falso santuário de sacrifícios
Como a anatomia nos prega peças
Hematomas, suor, lágrimas, cães, gatos e ratos sem cabeça
Flores vermelhas com cheiro de porra
Pizza com oito pedaços escrevendo um bilhete
Orelhas furadas sem convite
Na Grécia os deuses usam sapatos, mas não pagam multas
Vizinhas gemem em pó
O sangue sem rastro, uma prova nula
Por conta disso tudo
Embalsamei 1,1 kg
Em meu falso santuário de sacrifícios
Para não me beneficiar
Opa…
Desculpe-me, não sabia que era sua vez