Trapaça

O tempo perdido, uma prostituta de fundo falso
Lowell, como um gambá, traçou minha garota
Mordeu minhas costas, roubou meus poemas
Fugiu acenando e confessou-se
Numa tribo que comia minhocas
Essa vizinha nova insiste em desligar meu ventilador
Enquanto durmo ao lado das latas de tinta
Ela diz que se quisesse ouvir um vento artificial
Teria sopro no coração ou uma buzina nos mamilos
Com um tiro de sinalizador dentro da boca
Reivindico o direito de ficar calado
Até que a sorte nos separe
O rabo do lagarto
Contorce-se mais solto
Do que unido
A sobrevivência preserva a toca
O rabo do lagarto
É um batom vermelho  na ponta do alfinete
O rabo do lagarto
É a segunda descarga no banheiro público
Poeira e carvão no marfim inalado
Eu estive longe nessa semana longa
Absorvi o mínimo do ópio
Que as vozes viciam
Minhas cinzas grudaram nos dejetos
O  tomate pela metade
Atirei nas costas do gato
Que cagava na sacada
Agora me faz falta