não posso ver
um grelo
s a l t i t a n t e
que já preciso ir
s a l t i t a n d o
junto.
não posso ver
um grelo
s a l t i t a n t e
que já preciso ir
s a l t i t a n d o
junto.
tenho voltado sempre para o mesmo bar.
a cadeira não é das melhores
mas posso fumar onde quer que eu pare
e o garçom já me reconhece
e traz a mais barata e mais gelada
sem eu precisar pedir.
o que mais eu poderia desejar
de um bar? de uma noite?
de um dia inteiro? de alguém?
de alguém que não sabe quem sou?
palmas? não preciso disso
além do que, não gosto de barulho
embora peide alto e cada dia mais
mas é a vida.. você bebe, você dorme
você acorda, você arrota
e você peida.. tão sagrado
quanto Darwin na Cruz
suspensa.. além disso
e talvez o principal, aqui
embora eu venha todos os dias
já tem anos, ninguém me conhece.
aqui ninguém me vê
aqui não preciso ouvir ou falar
eu apenas sento e bebo e fumo até
me perder.. e quando consigo
ignorar o que não importa
eu acabo conseguindo
me entregar ao fogo
e ao menos queimar em paz
por algumas horas.. e por um momento
é como se tudo mais virasse cinzas
e eu pudesse simplesmente
soprar tudo para longe
feito à fumaça que exala
do meu corpo,
agora.
eu ligo o aquecedor
e acendo o salvador
e tranco as portas
e janelas, e só ficamos
eu e ela, e essa coisa
transcendental que existe
entre nós, e que ainda não sei
como explicar, ao menos
não agora, por ora
preciso ir porque
ela já está voltando
do banheiro, e vem
pelada e quente
como sempre.
“ratos passam por mim
sem nenhum sinal de medo
alguns vermelhos outros
negros, alguns assoviando
outros cagando
pra mim.. um rato,
talvez o mais gordo
entre todos os outros
espia o vento correr
as suas costas e o inveja
assim, tão magrinho
e veloz, e ainda
assoviando
alto..”
é o que percebo
agora, roendo
meu queijo.
você conseguiu.
me mostrou que por baixo
desta crosta de cigarros e garrafas
vazias, ainda existe algo.
algo que vale a pena
ser mantido longe do lixo
algo que ainda segura
algumas das marcas humanas
algo vivo, em meio aos destroços
deste acidente
que sou.
eu respiro buceta
principalmente
quando fico
sem,
arrr
vítimagrela
o que esperam da poesia
aqueles que ainda hoje
feito galinhas hipnotizadas
seguem linhas estipuladas
pelo poeta das coordenadas?
quem poderia por mim pensar
melhor maneira de se expressar?
porque eu deveria então hoje
continuar seguindo o perdido
cantando na corte de Frederico
que nem se quer era o primeiro?
porque encaixar minhas ideias
em uma forma estabelecida?
talhar da natureza sua beleza?
não tenho dúvidas só certezas
de que formas ou coordenadas
honestamente, pouco ou nada
me importa.
uni, duni, tê
ela vai tirar o bêbe
e nem vai precisar
morrer.
deixe de trepar
deixe de se masturbar
deixe de fumar
deixe de beber
deixe de reclamar
alimente-se mal /
mal se alimente
– tanto faz? tente!
durma pouco
e tome muito café,
ou cuidado.
repetir até
explodir.