encontrei um telefone
tocando no meio do nada
quando atendi, desligaram
era engano.
encontrei um telefone
tocando no meio do nada
quando atendi, desligaram
era engano.
“então é assim
que começa o começo
do fim?” – me pergunta
o cigarro já em meus lábios
embora que ainda
apagado.
como responder
tal pergunta? não sei!
inicialmente brocho
e o cigarro pende
para baixo – obviamente
mas em seguida
minha mente ausente
se faz presente
tentando não soar doente
frente ao indagador
cigarro quente..
em vão, eu até tento mas
mais uma vez me calo
e o calo, fumando
-lhe até
o talo.
– o que você faz? você
não trabalha? não estuda?
não toma banho? não se
barbeia? não escova os dentes
todo santo dia?
e peida sempre alto? e
arrota na mesa? e não vai
à igreja? e não acredita em Deus?
e bebe todo dia? e começa sempre
de manhã? e só termina
quando acaba
contigo? – ela não se calava
depois de ver de perto
minhas cuecas
sujas..
“baby,
sou no máximo
um mínimo
poeta, e olhe
lá..”
e quando ela olhou
eu me fui, ainda em tempo
desta vez..
o que posso dizer que sei
quando o mundo persiste correndo
lá fora, mais rápido e para mais longe
de mim? pra onde vamos,
enfim?
não posso dizer que sim
não ouso dizer que sei
coisa alguma, até porque já não faço
questão alguma de saber: amém!
coisa nenhuma –
eu sei.
no sonho de sempre
ninguém acreditou quando confessei
que meu diretor favorito
era russo.. e no fim o filme acabou
e não pude explicar
o porquê?
acordei.
pinto alegre
bunda triste
tanto pinta
que entristece.
no começo era só tesão
depois a coisa toda foi descarrilando
exigindo involuções
até que um dia
do nada, acordei
do lado esquerdo e percebi
que não havia nada a se fazer,
nem mesmo ir embora
me pareceu solução, mas fui
antes que fosse tarde
demais para ir
onde quer
que fosse.
então você descobre
que 50 anos após a luta
de Ali contra Liston,
as luvas usadas na luta
que deu a ele o título mundial
valem mais dinheiro que o prêmio
da vitória, e se pega mais uma vez
levantando o copo e brindando
a grande tragédia,
humana.
passo ereto
por um grupo de meninas
15 anos, no máximo
o cheiro é maravilhosamente
inconfundível
elas rebolam
exalando primavera
para minhas narinas
enquanto flutuo feito abelha
extasiada pelo néctar da vida
e penetro em suas flores
virgens
contaminando assim
seus sagrados
jardins.
fiz uma sopa
virtuosa
e depois
um poema
de merda.
ou seria
o contrário?
na dúvida:
não tome a sopa
não leia o poema
não tome o poema
e não tente
JAMAIS
ler a sopa.
“vislumbrando
queimaduras..”