Do que você tem tanto medo?

Ontem ela me olhou,
diferente de outras vezes,
um olhar um tanto quanto piedoso,
aqueles olhares que não julgam, só tentam de alguma forma confortar.
Me pediu um abraço,
sentou ao meu lado e perguntou.
De que você tem tanto medo?
Não pude responder,
não sabia o que responder,
não quero responder!

Continuo com o olhar fixo na televisão, com o canto dos olhos tento fazer uma leitura de sua expressão,
não quero a ver triste,
sei que ela tem feito tanto por nós a tanto tempo.
Levanto do sofá,
caminho até a cozinha e pego um copo d’água,
quem sabe ajude lubrificar minhas cordas vocais e alguma resposta possa sair de minha boca.

Quer um copo d’água?
Não.
Onde está a nenê?
Está dormindo a mais de 20 min.

Caminho lentamente até o quarto para não a acordar,
deito ao seu lado, na pequena cama de solteiro,
quase colo meu rosto ao dela,
fico por alguns minutos simplesmente a olhando e sentindo sua respiração tocando meu rosto.
E isso é tão bom!

or algum momento penso em tentar adormecer ali ao seu lado,
mas o calor da noite não a deixaria descansar,
e já sei como é o seu humor no dia seguinte após uma noite mal dormida!

Ao levantar corro meus olhos pela sala,
mas não a vejo.
Sento no sofá com as luzes apagadas,
espero mais alguns minutos,
então me dirijo até nosso quarto, onde a observo dormir.
Então me aproximo e cochicho a ela.

Sinto medo que a vida seja curta demais e que eu não possa aproveitar todo amor que sinto por vocês.

Volto até a cozinha,
pego mais um copo d’água,
deito no sofá e acordo na manhã seguinte.
Com a certeza que desperdicei mais uma oportunidade de aproveitar todo o amor que sinto por elas.

Deixe seu comentário