Posfácio

A máquina de escrever vibrando
Como estalos de sonetos com chocalhos de cobre
Como o gado em linha reta
O anônimo desapareceu, juntamente
Com sua suposta falha
A máquina de escrever e uma poltrona virada
Adega fermentando caretices carcerárias
Fermentando o fino grau de possibilidades engarrafadas
Sorriso frio
De lenha queimando
As costas brilhando feito talheres turcos
Espaldar domesticado como bolas de boliche
“Até que enfim, até que enfim”
Batons fritando nas bituqueiras
“Ao acaso, ao acaso”
Melodias dissipando nuvens de ternura hostil
O anônimo voltou
A máquina de escrever soa como um trem partindo
Ninguém se atreve averiguar
Embalados pela viagem, a próxima estação, quem sabe outra
O aceno de mão trocada, adeus mamãe!
“Claro, claro, já comi pinguim”
Pés encharcados na dúbia ação premeditada
O equívoco é um belo canário
Cagando e cantando no ombro
O anônimo desapareceu, juntamente
Com sua suposta folha
“Chaplin mergulhava o pau no iodo por medo da sífilis,
E sua amante regozijava: Lá vem Charlie e sua espadinha vermelha”
Uma escada, depois outra, depois outra
A caixa d’água, finalmente
Sons que trepidam o silêncio alcalino das violetas de plástico
Fósseis pendurados nos varais
Jogatina de estômago cheio
“Meu pequeno príncipe, meu pequeno príncipe”
A noite escolheu seu dia
Para dormir descoberta

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