por que diabos deveria
conter meus instintos suicidas?
esse troço porcaria que nos ensinam
dia a dia só evidencia
demência e pança
e pra mim isso não funciona
porque sou de uma espécie rara
de farsante das palavras
do tipo que se basta
no paraíso da rejeição
barata
Plano cartesiano
A luz da lâmpada cobriu meus temperos
Já não encontro minha doença dentro do pote
Procuro em vão, um dia sóbrio na geladeira
Comprei bolo de formiga, chá de astronauta
Um chiqueiro novo, ferraduras de anjos
Uniformes despejados, cinzeiros desbotados
Alqui mia, cheia de bigode e pose
Está tão gorda e peluda quanto seu dono
Encontrei alguns remédios contra-indicação
Quando bisbilhotava a construção ao lado
“Ei” gritou-me o proprietário lá da rua
“Se acabar com minhas pílulas
Sou bem capaz de comprar um pato e um tapete”
Já não encontro minha doença dentro do pote
A luz da lâmpada, a luz da lâmpada
Alqui não veio mais aqui
Procuro em vão, um dia sóbrio na geladeira
Comprei molho de algodão, rocambole de eutanásia
Fissuras cerebrais acrobáticas, miúdos elétricos
Ultrajes simbólicos, medo do escuro
Encontrei um pato e um tapete
Quando bisbilhotava a construção ao lado
“Ei” gritou-me o proprietário lá da rua
“Se acabar com minhas pílulas
Sou bem capaz de comprar um pato e um tapete”
Já não encontro minha doença dentro da lâmpada
Procuro em vão, um dia sóbrio no pote
Alqui mia, algo dão
Alqui mia, algo dão
Alqui mia, algo dão
Alqui não veio mais aqui
Se Alqui mia
Algo dão
Espectrorante
Alimentando as águas
Com iscas de peixe
Afogando os raios
Com isopor em lata
Entregando ao desenhista seu retrato feito a mão
Na plena galeria de pinturas em borracha
Ao vivo, um lampejo histérico insular organizado
De olhos especificamente cardíacos
Na aurora servida em casca sobre a pedra de roseta
Espectrorante
Cativo e batizado
No toque de recolher aos catarros siameses
Rebanho único na ponta do lápis
Aqui jaz sua obra
Acolhemos a loucura assim como ela nos acolhe
Desenhamos a inconfundível voz do vento
Que nos eleva no primeiro sopro
Assim,
Um poeta fantasma
Um poema cuspido
enrolando
ele acordou disposto
a não fazer absolutamente nada
e tudo também – parou um instante
enrolou a ponta esquerda
do bigode com o indicador e o polegar
da mão direita
depois, enrolou a ponta direita
com os respectivos dedos da mão
esquerda – como costumava
sempre que acordava
disposto ao que quer que fosse
enrolar
Procurado
Últimas palavras de um poema
Minutos antes de suicidar seu criador:
Atenção!
Cuidado!
Desculpe o transtorno
Estamos em sobras
16ª Edição da Revista LiteraLivre
Na 16ª Edição da Revista LiteraLivre, Eduard Traste participa com o poema “o mesmo cara“.
Poema com pH
Esqueleto placebo
Carne de fumo
Defumo o esqueleto
Ensebo a carne
Palito um dente
Alho poró
Falho nos poros
Dente de leite
Leite pra litro
Carne seca
Carne defumo
Placebo ensebado
Espaço de dança
Pele de litro
Ex-passo de dança
Dente de alho
Poros de vidro
Ensebo o palito
Leite de fumo
Esqueleto poró
Por ora, por horas
Declamação: viralatando
Assim chegou Zaratustra (I)
falso prognostico
nec spe nec metu
hemovirtus preço
hemovirtus funciona
hemovirtus comprar
hemovirtus é bom
hemovirtus comprimido
destraido
crimideia
falso estrabismo
confucia
quero rir
bunda assada
para que serve a pomada hemovirtus
tocando uma
pessonhenta
hemovirtus para que serve
bom dia ramon
te vejo net
suguei
preço hemovirtus
“carne de porco”
bundinhas redondinhas
arranquei um dente posso fumar
cu do diabo
vai da teu cu pro diabo
receita de bomba caseira
o que significa traste
dedos da mão descascando fígado
ramon bomar
avezstruz estrábica
homem formiga montado numa fimose
imaculando
hemovirtus é boa
menino ranhento
cigarro hilton curto
poesia de cagar
vintepila fora do ar
integridade sexual
poemas sobre gatos
va a merda
“dormindo fora de casa pela primeira vez”
torta na cara
assadura no rego da bunda
cachorro com coceira na bunda
“reboque me”
coca alo diabo
tesão de jegue
poesia dente de leite
deusas net
boleiro estrábico
cagando no prato
conhaque com coca
copo quero mais
transol
coloquei aparelho e não consegui comer
calcinha no cu
fui cagar no cemitério
se separei porra
cala boca você fuma
poeta é hiato
mordi a lingua e virou afta
olhos palpitando
joão de barro traição
elefante de bunda pra porta
quero chorar
estou cagando mole todo dia
os guri tão sem freio azar
sonhar com dente postiço caindo
paguei aluguel adiantado
parei de fumar 136
poesia sobre cu
mexer as orelhas
osso da bunda
meu cachorro esta cagando uma gosma
comprimidos pra cagar
mulher cagando mole
gato do diabo
pode matar porca no cio
Posfácio
A máquina de escrever vibrando
Como estalos de sonetos com chocalhos de cobre
Como o gado em linha reta
O anônimo desapareceu, juntamente
Com sua suposta falha
A máquina de escrever e uma poltrona virada
Adega fermentando caretices carcerárias
Fermentando o fino grau de possibilidades engarrafadas
Sorriso frio
De lenha queimando
As costas brilhando feito talheres turcos
Espaldar domesticado como bolas de boliche
“Até que enfim, até que enfim”
Batons fritando nas bituqueiras
“Ao acaso, ao acaso”
Melodias dissipando nuvens de ternura hostil
O anônimo voltou
A máquina de escrever soa como um trem partindo
Ninguém se atreve averiguar
Embalados pela viagem, a próxima estação, quem sabe outra
O aceno de mão trocada, adeus mamãe!
“Claro, claro, já comi pinguim”
Pés encharcados na dúbia ação premeditada
O equívoco é um belo canário
Cagando e cantando no ombro
O anônimo desapareceu, juntamente
Com sua suposta folha
“Chaplin mergulhava o pau no iodo por medo da sífilis,
E sua amante regozijava: Lá vem Charlie e sua espadinha vermelha”
Uma escada, depois outra, depois outra
A caixa d’água, finalmente
Sons que trepidam o silêncio alcalino das violetas de plástico
Fósseis pendurados nos varais
Jogatina de estômago cheio
“Meu pequeno príncipe, meu pequeno príncipe”
A noite escolheu seu dia
Para dormir descoberta